Ainda me sinto lá...
Ainda me sinto lá... No lugar que quase me matou, levou-me a vida durante quatro anos e destruiu sem dó nem piedade tudo o que tinha sonhado. Sinto falta do nada que vivi, dos dias ensolarados, porém cinzentos, das tardes quentes de Verão, mas que para mim não passavam de tardes de um inverno muito rigoroso em que ninguém me vinha aquecer mesmo sabendo que precisava de calor, todos lavaram as suas mãos e ninguém quis saber. De que são feitas as pessoas? Porquê que sofremos como cães miseráveis, imundos e famintos? Será que essas pessoas que não quiseram saber de mim, que não se importaram de me magoar e pisar ainda existem? E donde vem esta saudade assustadora que me invade o ser? Quem sou eu depois disto? No que é que me tornei?